vida de Ângela Cristina Polisseni, presa na manhã desta quarta (23) pela polícia do Rio de Janeiro, estava concentrada em dois locais: o apartamento de luxo onde vivia, na Rua Álvares de Azevedo, em Icaraí, região nobre de Niterói, e a Nova Brasília, uma das favelas mais violentas da cidade, localizada no Fonseca, na Zona Norte da cidade.

Essa vida dupla se estabeleceu no dia em que Ângela se uniu a Luiz Cláudio Gomes, o “Pão com ovo”, chefe do tráfico na comunidade e, desde 2015, um dos detidos do presídio Bangu 3, no Complexo Prisional de Gericinó. Da união, nasceu não apenas um casal, mas também uma parceria de negócios – interrompida no fim da madrugada desta quarta-feira, quando Ângela acabou presa por policiais da 78 DP (Fonseca).

Em Nova Brasília, “Princesa”, como costumava ser chamada, era muito temida pelos moradores. Segundo levantamento feito pela polícia nos últimos três meses, desde a prisão de “Pão com ovo”, Ângela passou a controlar de forma estrita a venda de drogas na Vila Ipiranga.

“Ela é temida dentro da comunidade. Todos que vivem lá sabem o quanto é rígida no controle dos negócios do marido. A Ângela era a própria presença do ‘Pão com ovo’ dentro de Nova Brasília. Ninguém a questionava”, explicou o delegado Luiz Henrique Pereira, titular da 78 DP.

Mulher é presa por suspeita de participação no tráfico de drogas (Foto: Reprodução / TV Globo)

O movimento de R$ 1 milhão mensais do tráfico de drogas em Nova Brasília abriu as portas para um mundo de luxo – Ângela e soube aproveitá-lo. De forma tão intensa que, na comunidade, passou a ser conhecida pelo apelido de ‘Princesa’.

O título não era aleatório: restaurantes de luxo, atividades físicas em academias caras orientadas por personal trainers, idas constantes a salões de beleza exclusivos e o desenvolvimento de um gosto por viagens: segundo a polícia, foram 13 nos últimos meses – uma delas para Cancun, no México, onde, também segundo os investigadores, ela teria se encantado pelas águas azuis do Caribe.

Vida dupla e luxo

Segundo a polícia, a rotina dela estava concentrada em dois locais: o apartamento de luxo onde vivia, na Rua Álvares de Azevedo, em Icaraí, região nobre de Niterói, e Nova Brasília, uma das favelas mais violentas da cidade, parte integral da paisagem do Fonseca, na Zona Norte da cidade.

“A verdade é que ela tinha uma vida dupla, dividida entre a violência e o tráfico de drogas na Nova Brasília e a ostentação nos locais mais restritos de Icaraí”, avaliou o delegado Luiz Henrique.

A lavagem de dinheiro foi o meio utilizado para tentar encobrir o rastro do patrimônio conseguido por meio do tráfico de drogas. Além do apartamento na alugado na Álvares de Azevedo, as investigações apontaram que duas casas – uma em Saquarema e outra em Cabo Frio -, além de um Kia Sportage, pertenciam aos bens de Ângela.

“É claro que nada está em nome dela. Uma forma rápida e direta de ocultar o patrimônio. O próprio cartão de credito que ela utilizava estava em nome do advogado”, explicou o delegado Liandro Artilles, também da 78 DP.

O advogado em questão é Mauro Silva Sant’Anna, também preso nesta quarta-feira e apontado como auxiliar direto de Ângela.

Fonte: G1

foto: Google, G1