Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou que percebeu que os ônibus da caravana do ex-presidente Lula, alvo de três tiros na tarde de terça-feira (27), no interior do Paraná, fizeram uma parada na BR-277, próximo à Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Laranjeiras do Sul, mas que não sabe o motivo.

Conforme testemunhas, os veículos pararam para averiguar um pneu furado. Durante essa parada, ainda conforme as testemunhas, os passageiros perceberam as marcas dos tiros. Ninguém ficou ferido durante os disparos.

Em um relatório feito pela PRF na quarta-feira (28), que a TV Globo teve acesso, não consta o momento descrito pelas testemunhas da parada da comitiva.

A TV Globo procurou a PRF para entender por que o relatório não faz menção à informação. A PRF afirmou que os policiais que acompanharam o comboio notaram que houve uma parada da comitiva, a cerca de dois quilômetros da entrada da universidade em que Lula faria uma palestra.

Porém, acrescentou a PRF, que a equipe permaneceu a cerca de 200 metros e não avaliou que essa parada tenha sido causada por um motivo relevante. Por isso, nada a respeito desse momento específico do trajeto foi descrito no relatório.

Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira (29), o presidente do PT no Paraná, Dr Rosinha, disse que não visualizou os veículos da PRF. A corporação diz que o veículo estava à paisana.

A Polícia Civil espera o resultado da perícia feita nos ônibus para saber quantos disparos exatamemente os veículos, e que distância partiram e o calibre da arma.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), o laudo deve ficar pronto na semana que vem.

Até a última atualização da reportagem, ninguém tinha sido preso.

Novas diligências

Nesta quinta, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR) informou que a polícia está fazendo diligências em um trecho de aproximadamente 70 quilômetros entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul em busca de novas testemunhas e possíveis imagens de câmeras de segurança.

Investigações

Na terça, dois ônibus da caravana foram atingidos por três tiros. Um dos veículos levava convidados, e outro transportava jornalistas do Brasil e do exterior.

Lula estava em um terceiro ônibus, o primeiro do comboio. A informação inicial era de que, no momento dos disparos, o ex-presidente estava na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFSS), em Laranjeiras do Sul, mas o PT informou posteriormente que ele estava em um dos veículos.

De acordo com o delegado da Polícia Civil Hélder Lauria, o caso não é tratado como tentativa de homicídio, mas como disparo de arma de fogo com dano provocado.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) também está investigando o caso, com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da 2ª Promotoria de Justiça de Quedas do Iguaçu.

Nesta quarta-feira (28), o procurador Olympio de Sá Sotto Maior Neto, coordenador da área de Direitos Humanos do Ministério Público do Paraná (MP-PR), citou tentativa de homicídio ao comentar os ataques à caravana.

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), declarou que todo o policiamento e a segurança foram assegurados à caravana e ao ex-presidente Lula. Ele disse ainda que a Polícia Civil do Paraná vai continuar conduzindo as investigações sobre o possível atantado a tiros com serenidade e toda qualificação técnica necessária.

Fim da caravana no Sul

Nesta quarta, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou a caravana pelos estados do Sul do Brasil. Em evento na Praça Santos Andrade, em Curitiba, Lula falou, entre outros assuntos, sobre os ataques sofridos pela caravana, de acordo com o Partido dos Trabalhadores (PT).

A caravana do ex-presidente pelo Sul começou no dia 19 de março em Bagé, no Rio Grande do Sul e passou por cidades gaúchas e de Santa Catarina. No discurso, que durou cerca de 40 minutos, Lula citou lugares onde houve ataques com ovos e bloqueios de estradas durante a passagem da caravana.

 Fonte e foto: G1