Um áudio divulgado na internet vaza a conversa em que uma pessoa disse, por rádio, “manda esse lixo janela abaixo” ao avião que transportava Lula a Curitiba, no último sábado (7). A FAB (Força Aérea Brasileira) confirmou a autenticidade do áudio. Depois de se apresentar à Polícia Federal, em São Paulo, no início da noite do sábado, Lula foi transferido para Curitiba.

Em nota, a FAB confirma que “os dois áudios recentes envolvendo comunicações aeronáuticas e contendo comentários externos são verdadeiros”, ocorrendo nas torres de Congonhas, em São Paulo, e de Bacacheri, em Curitiba. Segundo o comunicado, as referências a Lula “não foram emitidas por controladores de voo”.

A intromissão pode eventualmente configurar crime ou infração administrativa, prevista no Código Brasileiro da Aeronáutica, que regulamenta o tráfego aéreo do país.

“Manda esse lixo janela abaixo”, diz uma voz não identificada na frequência de rádio, que é repreendida por outras duas pessoas, uma das quais se identifica como da torre de Bacacheri.

Especialistas aeronáuticos ouvidos pelo G1 acreditam ser difícil a Aeronáutica conseguir descobrir de onde partiu a interferência à frequência de rádio usada pela torre de controle, possivelmente a torre de controle de Bacacheri.

Conversa

Durante a interferência, é possível ouvir um piloto pedindo “o respeito ao trabalho” para outras pessoas que estão interferindo na fonia. Em seguida, o intruso responde: “Eu respeito, mas manda este lixo janela abaixo aí”.

A controladora de voo da Força Aérea pede que se mantenham ao uso de fraseologia de tráfego aéreo na rede – referindo-se ao emprego de apenas frases padrão e uniformes de fonia referentes a orientações e comunicações de tráfego aéreo, como pousos e decolagens.

Em seguida, é possível ouvir um estouro semelhante ao de um rojão e latidos de um cão.

Invasão é ‘infelizmente normal’

Para o consultor aeronáutico Luiz Lupoli, que foi investigador do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), é praticamente impossível a Aeronáutica descobrir de onde partiu a intromissão na comunicação.

“Me parece que é uma pessoa que tem um rádio transmissor em casa e que mantém escuta dos órgãos de controle (como frequências da Polícia Militar e da rede de tráfego aéreo). O cachorro, me pareceu ser da casa desta pessoa pois, inclusive, há outros sons ambiente”, afirma Lupoli.

“Infelizmente, é normal este tipo de invasão, isso ocorre direto, apesar de não estar certo. Não tem como o órgão de controle saber de quem veio, porque a frequência é aberta a quem selecioná-la e estiver no alcance”, salienta ele.

O comandante Carlos Camacho, que também investiga acidentes aéreos privados, afirma que a interferência pode ter sido feita por alguém com um rádio VHF portátil. “Se fosse algum piloto voando na região, a Aeronáutica poderia até mesmo tentar rastrear por um protocolo de vozes, buscando semelhanças nas vozes emitidas por outros pilotos voando e atuando na região. Mas é difícil”, afirma ele.