Parentes de 17 das 38 vítimas do desabamento da ponte Morandi em Gênova, na última terça-feira (17), rejeitaram participar do funeral coletivo que o governo da Itália convocou para este sábado, informa a imprensa italiana nesta sexta-feira (17).

O governo italiano anunciou para este sábado um dia de luto nacional. O funeral coletivo que está sendo preparado pelo Estado será transmitido pela televisão e terá presença do presidente Sergio Mattarella e do premiê Giuseppe Conte, entre outras autoridades.

O ato foi convocado em homenagem aos mortos, mas muitas famílias preferiram não participar e enterrarão seus parentes de maneira privada.”Não queremos uma cerimônia que seja uma farsa”, escreveu nas redes sociais Roberto, pai de Giovanni Battiloro, um dos quatro jovens do município de Torre del Greco, em Nápoles, que se dirigiam de carro para Barcelona para passar férias.”Meu filho não se transformará em um número na lista de mortes provocadas por uma falta de eficiência italiana”, acrescentou, ao mesmo tempo que pediu justiça.Nunzia, mãe de Gerardo Esposito, outro dos quatro amigos napolitanos, apontou aos veículos de imprensa que “o Estado causou isto” e disse que “a visita de políticos foi vergonhosa”.

Também negaram participar do ato do Estado os familiares de Alessandro Robotti e de sua mulher, Giovanna Bottaro, que realizarão um funeral privado no sábado na paróquia do município de Arquata Scrivia (Ligúria), informou a imprensa local.

A Delegação do Governo em Gênova divulga o balanço de 38 mortos, pelo menos três deles crianças, e 15 feridos. As equipes de resgate ainda falam que há entre 10 e 20 pessoas desaparecidas após o acidente.

Deterioração de ponte

Os veículos de imprensa italianos publicaram nesta sexta um relatório elaborado por professores do Instituto Universitário Politécnico de Milão contratados pela concessionária italiana Autostrade per l’Italia e que aponta para uma deterioração do viaduto.

O documento foi entregue à empresa italiana em novembro de 2017. Nele, os profissionais advertiam sobre a deterioração de alguns materiais, como a oxidação de cabos, e recomendava uma avaliação por parte da companhia para abordar estes problemas.

Por sua vez, em outubro de 2017, o diretor da Autostrade em Gênova, Stefano Marigliani, tinha assegurado às autoridades da Câmara Municipal da cidade italiana e às da região de Ligúria, à qual pertence Gênova, que nesse momento o viaduto não apresentava “nenhum problema estrutural”.

Causas do acidente

Para o juiz Francesco Cozzi, o desabamento da ponte em Gênova não foi uma fatalidade. As investigações já começaram e devem durar meses até que peritos estabeleçam as causas do desastre, de acordo com a Rádio França Internacional (RFI).

Uma das principais hipóteses é a vulnerabilidade da infraestrutura e do material usado para a construção, o concreto armado. O material se degrada ao longo do tempo, além de precisar de uma frequente e custosa manutenção. A ponte foi construída na década de 1960, projetada pelo engenheiro Riccardo Morandi, durante uma das épocas de maior crescimento econômico da Itália.

Fonte e foto: G1