A mãe da menina Thayná, Clemilda Aparecida de Jesus, disse que o resultado do exame de DNA, que comprova que a ossada encontrada é da filha, vai pôr um fim em parte do sofrimento que ela vive.

O velório da menina vai acontecer na Igreja Assembleia de Deus, no bairro Flexal II, em Cariacica, assim que o corpo for liberado. O enterro acontece nesta quarta-feira (6), no cemitério do bairro Aparecida, no mesmo município. O corpo ainda não foi liberado no Departamento Médico Legal (DML), em Vitória.

“Foi mais um dia de muito sofrimento e tristeza para mim. Eu acho que não foi diferente dos outros dias que eu vivi. Ontem teve aquele desespero, aquela angústia, aquela tristeza, aquela sensação de impotência, mas também vai por um fim nessa história que eu não consigo viver mais. Eu tento desligar o aparelho desse filme horrível e não consigo. E isso passa na minha cabeça 24 horas por dia. Eu não consigo mais pensar em nada. Eu não sei nem o que pensar mais”, disse Clemilda.

Thayná Andressa de Jesus Prado, de 12 anos, desapareceu no dia 17 de outubro, após ser filmada entrando em um carro no bairro Universal, em Viana. A ossada da menina foi encontrada perto de um brejo, no dia 10 de novembro.

Ademir Lúcio Ferreira, de 55 anos, foi identificado como suspeito e foi preso no Rio Grande do Sul, no dia 13 de novembro. Ademir disse que a menina aceitou ter relações sexuais com ele por R$ 50, mas saiu correndo, caiu numa lagoa e acabou se afogando.

O resultado do exame de DNA contestou o depoimento de Ademir. Segundo o delegado José Lopes, chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a menina não morreu afogada.

Tristeza

Clemilda passou a manhã desta terça-feira (5) organizando o velório e o sepultamento da filha. Os restos mortais da menina ainda estão no DML de Vitória aguardando liberação.

“Vai acabar a tortura de não ter feito nada por ela, mas não acabou não, eu quero que a Justiça afunde ele (Ademir) em um poço que ele nunca mais saia. Eu quero que eles entendam que colocaram esse monstro na rua várias vezes, mas que agora deu”, falou a mulher.Ela também contesta a versão do acusado, que diz que a menina aceitou ter relações sexuais com ele. “Eu acredito que aquele monstro apontou uma arma para minha filha entrar naquele carro, porque eu conheci a minha filha. Eu não consigo nem imaginar, graças a Deus a minha mente bloqueia, toda vez que eu tento imaginar o que ele fez com a minha filha. E agora vai bloquear para sempre. Agora, graças a Deus nem o laudo vai mostrar como a minha filhinha morreu. Deus é justo comigo”, completou Clemilda.

Estupro

O estupro de Thayná ainda não foi confirmado, mas o delegado aguarda os resultados de outros exames, sendo um deles a perícia do carro usado pelo sequestrador, para reunir novas provas. Mesmo assim, José Lopes afirma que Ademir Lúcio será indiciado por três crimes: homicídio, estupro e ocultação de cadáver.

“Eu não tenho dúvida de que ele abusou sexualmente dela e a matou, apesar de ele contar uma história fantasiosa”, disse o delegado José Lopes.

Para que a investigação siga sem interferências, José Lopes afirmou que vai pedir a prorrogação da prisão temporária do suspeito, que termina no dia 12 de dezembro, por mais 30 dias.

Não há previsão de conclusão do inquérito policial. Segundo o delegado, o crime mobilizou de alguma forma cerca de 101 policiais, do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul, onde Ademir foi preso.

Desaparecimento

Thayná desapareceu no dia 17 de outubro no bairro Universal, em Viana. Um vídeo mostra a menina conversando com o motorista e entrando em um carro. Segundo a polícia, o motorista era Ademir Lúcio Ferreira, que teve a prisão decretada pela Justiça e estava foragido.

 Fonte e foto: G1