A mãe de um menino de cinco anos, que ficou com paralisia cerebral após passar por uma cirurgia, resolveu protestar devido à demora de uma resposta sobre o caso na Justiça. Sem assistência para os tratamentos, a mulher tomou uma atitude desesperada na terça-feira (8): se acorrentou em frente ao Fórum de São Leopoldo, no Vale do Sinos.
“Eu não tenho mais o que fazer, a gente procurou todos os meios, procurou a justiça, diariamente eu venho no Fórum perguntar sobre o processo e não teve nenhuma audiência, até hoje nada foi feito, sabe?”, desabafa Tissiane Goulart.
Aos três anos de idade, Ygor foi submetido a uma cirurgia para fimose e saiu do Hospital Centenário com paralisia cerebral. No prontuário, o médico responsável pela anestesia, Olimpio Sergio da Costa Albrecht, informou que Igor tinha uma doença cardíaca. Há quase dois anos, o menino vive em estado vegetativo.
“Meu filho não anda, não caminha, não enxerga, não consegue nem respirar sozinho. Eu acho muita injustiça com ele porque ele é uma criança, ele tem os direitos dele”, diz o pai Cristiano Haubrich.
O laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) aponta contradição entre o que diz o médico anestesista em relação aos medicamentos usados e o que consta na folha de gastos da cirurgia. Nela, aparece o uso de propofol e bupivacaina, medicamentos não indicados para menores de 16 anos. O médico continua trabalhando e não foi responsabilizado judicialmente, o que indigna os pais.

“Eu não entendo isso, uma criança tão pequenininha, tão sadia que era, ficou assim desse jeito e nada está sendo feito. Eles não vão fazer nada nunca, vão esperar o meu filho morrer para ele ter direito de alguma coisa”, revolta-se a mãe.
Na terça (8), Tissiane passou o dia acorrentada e só saiu à noite porque o filho teve alta do Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, onde estava internado. Ygor está em casa com a avó que é técnica de enfermagem aposentada. Os pais lutam também pra conseguir enfermeiros e atendimento especializado para o filho, enquanto ele está em casa.

“Meu filho não tem enfermagem como está prescrito e é grave. Ele tem que ter cuidados médicos e nunca teve, nunca teve”, comenta a mulher.
Por enquanto a família, recebe um salário mínimo por mês, que a Justiça retira da conta do médico, e depende da ajuda de amigos, porque os gastos com medicação, fonoaudiólogo e fisioterapia já passam de R$ 30 mil reais e o casal não consegue trabalhar porque o Ygor, quando está casa, precisa de cuidados 24 horas por dia.
“Cada dia é uma luta para nós, nós não sabemos se nós vamos conseguir vencer. Mas ele é muito guerreiro, muito forte”, afirma o pai.
Contraponto
O Hospital Centenário, onde Ygor fez a cirurgia, disse que não comenta o caso, porque não tem informações. O médico não é funcionário do hospital, mas de uma de uma empresa que presta serviços para a instituição.
O Conselho Regional de Medicina do estado (Cremers) informou que investiga o caso sigilosamente e por isso não pode comentar.
A Secretaria Estadual da Saúde afirmou que o tratamento foi autorizado, mas que a família teria ficado um ano sem buscar os medicamentos e por isso houve bloqueio no sistema.
Já a Secretaria da Saúde de São Leopoldo disse que disponibiliza os tratamentos de fisioterapia e fonoaudiologia, mas a família preferiu profissionais particulares, e também, que não teria como conceder um enfermeiro para atender Ygor em casa.
Já o advogado do médico Olimpio Sergio da Costa Albrecht informou por telefone que o processo está em curso e a defesa está se manifestando na Justiça.

Foto: Reprodução/RBS TV
Fonte: G1