Começam, às 14h desta sexta-feira (18) na Justiça Federal de Curitiba, os depoimentos das testemunhas de acusação no processo em que o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha é réu na Operação Lava Jato. Segundo os advogados do político, ele irá acompanhar as oitivas.
Cunha chegou à Justiça Federal para os depoimentos por volta das 13h45, em um carro da Polícia Federal. Em geral, os advogados dos investigados da Lava Jato pedem a dispensa dos clientes das audiências com as testemunhas e o juiz autoriza. Cunha, todavia, optou por estar presente.
Embora possa acompanhar a audiência, o político não pode se manifestar durante as oitivas. É a primeira vez, desde sua prisão, que o ex-presidente da Câmara dos Deputados fica frente a frente com o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.
Nesta sexta-feira, Moro ouve o ex-gerente da Petrobras, Eduardo Musa; e o auditor da estatal, Rafael de Castro Silva.
Já as testemunhas de defesa de Cunha devem ser ouvidas no dia 24 de novembro. Entre elas, estão o ex-diretor Petrobras e colaborador da Lava Jato, Nestor Cuñat Cerveró; e o pecuarista e um dos réus da Lava Jato, José Carlos da Costa Marques Bumlai.
Preso no dia 19 de outubro, Cunha é acusado de receber propina de contrato de exploração de Petróleo no Benin, na África, e de usar contas na Suíça para lavar o dinheiro.
A defesa de Cunha nega as acusações e critica o Ministério Público Federal (MPF), dizendo que os procuradores não explicaram qual seria a participação do ex-deputado no esquema descoberto na Petrobras.
‘Risco’
No despacho que determinou a prisão, juiz Moro disse que o poder de Cunha para obstruir a Lava Jato “não se esvaziou”. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), em liberdade, Cunha representa risco à instrução do processo e à ordem pública.

Além disso, os procuradores argumentaram que “há possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior” e da dupla cidadania.

Cunha tem passaporte italiano e teria, segundo o MPF, patrimônio oculto de cerca de US$ 13 milhões que podem estar em contas no exterior.

Após Cunha perder o foro privilegiado com a cassação do mandato, ocorrida em setembro, o juiz Sérgio Moro retomou no dia 13 de outubro o processo que corria no Supremo Tribunal Federal (STF).

Esfera civil
Na Justiça Federal do Paraná, Cunha responde também a uma ação civil de improbidade administrativa, movida no âmbito da Operação Lava Jato, que alega a formulação de um esquema entre os réus visando o recebimento de vantagem ilícita proveniente de contratos da Petrobras. A ação corre na 6ª Vara Cível.
Além de Cunha, são requeridos na ação civil a mulher dele, Cláudia Cruz, o ex-diretor da estatal Jorge Luiz Zelada, o operador João Henriques e o empresário Idalécio Oliveira.

Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Fonte: G1