Um motorista de uma van atropelou várias pessoas em La Rambla, via que fica em uma das regiões mais turísticas de Barcelona, na Espanha, nesta quinta-feira (17). Segundo o governo da Catalunha, foi um ato terrorista que matou 13 pessoas e deixou mais de 100 feridos – sendo 15 deles em estado grave. As vítimas são de, ao menos, 18 nacionalidades.

A agência do Estado Islâmico afirma que o grupo extremista reivindicou a autoria do ataque. As investigações não confirmaram a informação nem quantas pessoas teriam participado do atentado.

Dois suspeitos foram presos: um espanhol e um marroquino. Mas nenhum deles era a pessoa que dirigia a van, segundo a polícia.O jornal “El País” noticiou que três alemães estão entre os mortos. Também haveria vítimas gregas e belgas. A EFE informou que dois argentinos – uma mulher de 67 anos e um homem de 37 – estão entre os feridos.

O Itamaraty disse que ainda não há notícias de brasileiros entre as vítimas do atentado.

Este é o sexto atentado terrorista com atropelamento ocorrido neste ano. Só em Londres, foram três ataques do tipo.

No início da madrugada desta sexta (18) – horário da Espanha –, a polícia catalã realizava uma operação em Cambrils, cidade a 117 km de Barcelona, pela suspeita de mais um atentado. Quatro suspostos terroristas foram mortos e um ficou ferico. Ao menos seis civis e um policial ficaram feridos na tentativa de ataque. A polícia investigava se eles carregavam explosivos.

A investigação da polícia da Catalunha busca determinar se o incidente em Cambrils e a explosão de um prédio ocorrida na noite anterior em Alcanar, que matou uma pessoa e feriu sete, têm relação com o atropelamento em Barcelona.

Terrorismo

Em pronunciamento no fim da noite desta quarta na Espanha, o primeiro-ministro do país, Mariano Rajoy, disse que, “lamentavelmente”, os espanhóis conhecem muito bem a dor absurda que causa o terrorismo.

“Sabemos que os terroristas se vence com uma ideia institucional, com cooperação, com prevenção”, disse. Foi decretado luto oficial de três dias no país.

O governo da Catalunha não divulgou a identidade dos dois suspeitos presos. Josep Lluís Trapero, chefe dos Mossos d’Esquadra, a polícia da Catalunha, disse que seguem as buscas pelo motorista que atropelou mais de uma centena de pessoas.

Trapero detalhou que um dos presos é espanhol nascido em Melilla, e outro é marroquino. Um foi detido em Ripoll, na província de Girona, e outro em Alcanar, em Tarragona. Trapero afirmou não haver dúvidas de que foi um atentado terrorrista.

Segundo as autoridades, ainda não está confirmado o envolvimento no atentado de um homem morto em uma troca de tiros com a polícia em Barcelona, depois do atropelamento na Rambla.

O ataque

Segundo o “El País”, o motorista avançou com a van sobre os pedestre em La Rambla por cerca de 600 metros. No centro da via fica a parte exclusiva para pedestres e, nas laterias, a passagem de carros. O local é muito movimentado, com artistas de rua, restaurantes e vendedores ambulantes.

Algumas pessoas se protegeram nas diversas lojas que existem no local, que é um dos principais pontos turísticos da cidade e fica lotado nesta época do ano, que é verão na Europa. O motorista da van fugiu caminhando.

Brasileiros que estão na cidade disseram que houve correria e muito pânico durante o ataque e nos momentos que se seguiram, com um clima de tensão na cidade.

O veículo usado no ataque foi alugado por um homem chamado Driss Oukabir, em Santa Perpetua de la Mogada, município perto de Barcelona. A imprensa chegou a divulgar uma foto de Driss Oukabir dizendo que ele era o autor do ataque e que teria sido preso.

No entanto, o jornal “La Vanguardia” publicou que ele se apresentou em uma delegacia de Girona, a cerca de 100 km de Barcelona, e afirmou que seu documento havia sido roubado e que no momento do ataque ele estava em Ripoll, uma das cidades desta província.

Um segundo veículo, também ligado ao atentado, foi encontrado pela polícia na cidade de Vic, a 70 km de Barcelona.

Logo após os atropelamentos, circulou a notícia pela imprensa de que um dos terroristas teria feito reféns em um restaurante, mas a polícia desmentiu a informação.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse no Twitter que a prioridade no momento é atender os feridos e facilitar o trabalho das forças de segurança. As vítimas foram levadas a hospitais da cidade, que pedem doações de sangue, segundo o “El País”.

A região da Rambla foi isolada, e as estações de metrô e trem perto do local do atropelamento foram fechadas – e liberadas só no fim da noite.

‘Absoluto caos’

Ethan Spibey, que testemunhou o atropelamento, contou à rede britânica Sky News os momentos de pavor que viveu. “De repente foi um absoluto caos. As pessoas começaram a correr e gritar, houve explosões altas”, relatou ele, que se abrigou em uma igreja da região.

“Eles trancaram as portas, pois não sabem se quem fez isso foi pego. Então eles fecharam as portas e pediram que as pessoas esperem aqui”, relatou. Após o atentado, as autoridades pediram que moradores e turistas evitassem sair de casa e circular pela região.

Repercussão

O ataque repercutiu entre autoridades internacionais, que se manifestaram condenando a ação. “Os Estados Unidos condenam o ataque terrorista em Barcelona, Espanha, e fará o que for necessário para ajudar. Sejam duros e fortes, nós amamos vocês”, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, no Twitter.

O presidente Michel Temer, também no Twitter, disse que o Brasil se solidariza com o povo espanhol.

Temporada turística

O atentado aconteceu no auge da temporada turística de verão em Barcelona, um dos principais destinos turísticos da Europa, que recebe pelo menos 11 milhões de visitantes anualmente.

A prefeitura suspendeu todas as atividades públicas, inclusive a tradicional festa do bairro de Gracia.

Em março de 2004, militantes islâmicos colocaram bombas em vagões de metrô em Madri, que explodiram na estação de Atocha. O atentado, o mais mortal da história da Espanha, deixou 191 mortos e mais de 1,8 mil feridos.

 Fonte  e foto: G1